sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

NA BATIDA DO COCO DE PERNAMBUCO


Com ritmo e poesia, grupo de música resgata a cultura negra da Nação Xambá.

Nas ladeiras de Olinda, Pernambuco, reside o grupo Bongar. No repertório, poesias que falam da resistência da nação Xambá e da cultura afro-brasileira, nas batidas do coco-de-roda, coco-de-umbigada, coco da xambá, além de influências do maracatu, frevo, caboclinho, da ciranda, do bumba-meu-boi e do samba-de-roda. O grupo Bongar é formado por seis pessoas no palco, todos percussionistas e cantores que revezam os instrumentos como a alfaia, ganzá, abê, caixa, congas, ilú e tabicas. Cleyton José da Silva, “Guitinho”, voz principal, e pandeirista do grupo, em entrevista, fala sobre os planos do Bongar, políticas culturais e a luta pela resistência da cultura afro-brasileira.

Vocês se consideram um movimento negro de resistência?
Sim. Por meio dos nossos cantos, aliados à sonoridade dos instrumentos, como a alfaia que carrega em seu bojo uma história milenar, passamos a cultura de um povo que resistiu a todas as dificuldades naturais da vida e as barreiras postas muitas vezes pelos instrumentos do Estado. Ao mesmo tempo, quando entramos no palco, tentamos mostrar um pouco do universo do terreiro Xambá, por meio de uma magia e de uma alegria peculiar do povo negro.

E como é a relação de vocês com a cultura afro?
Ancestral. Convivemos com vários elementos, ao nosso redor, ligados à cultura afro. A forma como nos organizamos socialmente e em comunidade, como no Portão do Gelo, na cidade de Olinda, Pernambuco, localidade onde se encontra o terreiro Xambá. Poderíamos até considerar o local como um quilombo urbano, pois tem todas as características dessa organização. Também podemos identificar essa ligação pela maneira como andamos, comemos, nos vestimos, falamos, cantamos, dançamos, tocamos e principalmente em nossas cerimônias religiosas, quando evocamos e celebramos os nossos antepassados e os nossos deuses (os Orixás).

É difícil defender a bandeira da tradição negra, com a grande mídia ignorando-a?
Existem as dificuldades, mas nos moldamos ao tempo, assim como outras culturas. Os jovens hoje, como posso ver, ensaiam maracatu, coco de roda, ciranda, bumba-meu-boi, cavalo marinho, reisado, entre outros brinquedos, no início da noite de um sábado até às 22h, depois eles vão a shows de pagodes, axé music, brega. Hoje há uma imensa pluralidade de divertimentos, mas a cultura de um povo não morre de uma hora pra outra, é algo que corre no sangue das pessoas e o sangue carrega o DNA que é passado de geração pra geração. Apesar das coisas estarem caminhando para o global, as comunidades não abandonam as suas bandeiras, porque ao contrário do que muitos teóricos acreditam a nossa cultura está diretamente ligada a nossa religiosidade. Então, pra nós, a nossa cultura é a nossa religião, onde cantamos todo o nosso axé.

Existem incentivos governamentais ou privados para esta área?
O atual Governo, sem sombras de dúvida, abriu muito as portas para a valorização da cultura, em especial a cultura de matrizes africanas. Não estou jogando confetes nessa gestão. Também quero deixar bem claro que não sou ligado a partidos políticos, mas temos que reconhecer as boas ações, como os pontos de cultura. Aonde era que um dia iríamos imaginar um terreiro de xangô (termo utilizado em Pernambuco para as casas de matrizes africanas), fosse ter um título desse, reconhecendo as suas atuações em suas comunidades, durante décadas, como produtores de cultura. Digo isso partindo de dentro do terreiro Xambá, hoje um ponto de cultura. Mas ainda há muito a se conquistar. As instituições governamentais ainda têm que abrir mais as portas para determinados segmentos da cultura e não só olhar para o teatro, a dança, as artes visuais, o cinema. E as iniciativas privadas deveriam se aproximar mais desse universo. Começamos a furar o bloqueio dessas empresas privadas. Mas o caminho é muito difícil, não tão fácil como as empresas financiam as campanhas de políticos, como vemos a facilidade de doações.


O RITMO DITA TUDO, FALA E REFAZ A IDÉIA...
PEDE QUE EU MANDO...FUI

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A Torre Negra, Stephen King



Sempre afirmo o seguinte:
Obra de arte, por mais "estranha" que possa parecer, deve mexer com seu interior de uma forma dilacerante. Ela vai mexer com tudo que já tem lá, organizar tudo como se tivesse vida, e tomar parte daquilo, tomando para si a parte que lhe cabe. Em suma: a obra de arte te pertence ao passo que você pertence a ela. Se isso não ocorre, ela pode até ser obra de arte, mas não para você.

Assim creio que seja a literatura.
Devo admitir que poucos livros e contos e poesias me deixam extasiados. Gostaria de citar esses que mexeram, e muito comigo:

Caio Fernando Abreu, Crônica (http://semamorsoaloucura.blogspot.com/2006/09/crnica.html)
Clarice Lispector, uma das cartas que ela envia pra sua irmã Tânia, não lembro a data.
Goethe, Os sofrimentos do Jovem Werther
Khaled Hosseini, O Caçador de Pipas.
E outros que não me recordo de primeira mão.

O que ocorre hoje comigo é diferente:
estou apaixonado.
E pior que isso (como que paixão já não bastasse por ser em si mesmo uma das piores doenças da humanidade), estou apaixonado por pessoas que não existem, ou que existam apenas pelo fato de terem sido escritas.

São personagens de uma série, que está sendo considerada a maior obra literária depois de
O Senhor dos Anéis.

Assim: gostaria, antes de falar da obra em si, que repudio qualquer livro/filme/música que tenha sido criada à sombra do Universo de Tolkien. Acho isso uma espécie barata de plágio.

Mas nesse caso, o que ocorre é uma mistura do mesmo universo de Tolkien, mais um poema épico do século XIX
"Childe Roland à Torre Negra Chegou" de Robert Browning , e repleta de referências à cultura pop, às lendas arturianas e ao faroeste, esse livro mistura ficção científica, fantasia e terror numa narrativa que forma um verdadeiro mosaico da cultura popular contemporânea.



Escrevo hoje, e não nego: com um certo arrepio, sobre A TORRE NEGRA, de
Stephen King.

Ele começou a escrever a coleção quando ainda era um estudante universitário, na década de 1970. Foram trinta anos sonhando com Roland de Gileard, como ele mesmo afirma. E isso é incrível: hoje sou eu quem sonha com o último Pistoleiro.

Talvez eu não consiga resumir os sete volumes (mesmo não tendo lido todos, ainda), mas trata-se de uma visão apocalíptica do mundo, um mundo que seguiu adiante. E só há uma salvação: a Torre Negra, lugar mítico e mistíco, onde todos os feixes e eixos do mundo se convergem. Afirma-se que subir suas escadarias pode até mesmo levar à Divindade.


A medida que se vai entrando nesse universo quase mitólogico vai se entrando numa espécie de transe literário. Sei que muitos não gostam da literatura de King, e sei que eu gosto até demais, mas devo admitir, mesmo se não gostasse, que essa obra é monumental, e foi considerada por críticos literários da Europa e EUA que trata-se de uma literatura que se aproxima sim da literatura de Tolkien.

Como eu disse são sete volumes:
* A Torre Negra Vol. I - O Pistoleiro
* A Torre Negra Vol. II - A Escolha dos Três
* A Torre Negra Vol. III - As Terras Devastadas
* A Torre Negra Vol. IV - Mago e Vidro
* A Torre Negra Vol. V - Lobos de Calla
* A Torre Negra Vol. VI - Canção de Susannah
* A Torre Negra Vol. VII - A Torre Negra

Nota-se nesses volumes uma coisa que poucos escritores conseguem fazer (vide Paulo Coelho): formar tão profundamente o psicológico de uma personagem. King entra no personagem como se ele o conhecesse intimamente, não como pai/autor, mas como ele próprio sendo Roland, Susan ou Jake... Ele faz algo que nunca vi na vida: ele empurra o personagem pra você, e você aceita. Apenas aceita.

É simplesmente uma obra literária que merece destaque, sendo King escritor para as massas ou não. Uma coisa podemos e devemos aceitar: ele escreve para dar medo, e escreve bem, como já sei viu ao longo dos 40 anos de escritor. Mas quando escreve sobre amor, você se apaixona. Quando escreve sobre emoção, você chora. Quando escreve sobre amizade, você se toca...

...quando ele ESCREVE, eu me curvo.






quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Piaf - Um Hino ao Amor


Estava pensando no que escrever para a coluna de cinema, há tempos não via um bom filme e queria ser atual, falar de uma estréia.
Foi quando soube de um filme sobre a vida de Edith Piaf. Desafio, a palavra chave que me veio à cabeça. Interpretar uma personagem como Piaff seria um desafio para estrelas de primeiro time em Hollywood. E o melhor de tudo: o filme não era americano. (nem poderia ser).
Instigou-me, mas fiquei ainda com ressalvas. Iam colocar uma atriz francesa? Pelo amor de Deus, Monica Belucci não! O fato é que grandes personalidades se restringem a ser interpretadas por atrizes com fama internacional, uma dessas coisas que Hollywood prega e que o mundo acata.
Para minha surpresa isso não aconteceu aqui. Marion Cotillard, para mim uma ilustre desconhecida até então, entrega uma interpretação coerente, frágil e assustadoramente real.
É através dos lindos olhos azuis, da postura curvada, das mãos trêmulas e da fragilidade aparente de Piaf, que Cotillard mostra todo seu talento. Não é apenas uma atriz interpretando uma cantora, mas uma grande artista interpretando outra.
Cenas lindas, fotografia correta (para não ser exagerado), um elenco maravilhoso e uma edição que deixa Hollywood no chinelo, com louvor.
As cenas se entrecruzam em períodos: a infância, a velhice precoce, o auge da carreira, o amor, o dinheiro, tudo intercalado com perfeição por um editor extremamente talentoso.
Não há cortes bruscos nessa montagem de uma vida não linear, mas apenas passagens suaves que nos amarram a um clima de realidade mistificada fascinante.
Piaf não era uma pessoa fácil, nem perfeita, e é um triunfo do filme em momento algum transformá-la em perfeição pré-fabricada para vender títulos a fãs. O melhor de Piaf é sua música e é nela que se inspira o encanto.
Cotillard não canta, apenas dubla as canções da intérprete francesa, o que dá maior veracidade ao filme e transforma-o numa degustação deliciosa do talento de ambas.
A força de Piaf, de sua voz arrebatadora e potente, de sua personalidade forte e devastadora, unem-se à magnífica atuação de uma atriz que não só interpreta, mas transforma-se no ídolo que pretende representar.
E se, depois de tudo isso, da vida sofrida e das conquistas de “la môme”, a pequena Piaf, conseguirmos manter-nos ilesos à comoção, ainda assim, teremos o desafio de passar ilesos à interpretação avassaladora de Cotillard. Tentados de todos os lados, seja pelos olhos ou pelos ouvidos, acabamos comovidos, apaixonados e extremamente realizados por assistir algo belo em meio às brutalidades mercadológicas de hoje em dia.
Uma bela semana a todos e se pensarem em ir ao cinema, tenho certeza de que sairão cantando: Non, je ne regrette rien!
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Piaf – Um Hino ao Amor

Título Original: La Môme
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 140 minutos
Ano de Lançamento (França / República Tcheca / Inglaterra): 2007
Site Oficial: http://www.edithpiaf.com.br/
*Em Cartaz no cine Catuaí 3 – Londrina
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sábado, 17 de novembro de 2007

O que é (ou não é) Poesia?

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Talvez, a maioria diga que nela a poesia está no sangue ou no DNA. Pois eu, quanto mais leio, mais ouço e mais procuro, fico convencida de que está, principalmente, na alma. É poesia, sem dúvida alguma.
Estrela Leminski é poesia pura, gente. E a prova disso está no universo de toda a produção dela: música, letras, rimas, des-rimas, construções, des-construções, arte, estética.

Aí me chamou a atenção quando ela começou com a história de “Poesia, não”. Como assim?
Pois bem, escute só: Estrela posta, em seu blogue “Leminiskata”, uma série com esse nome: “Poesia, não”. Nessa série, ela questiona e coloca em cheque todas as teorias, opiniões e convenções sobre o conceito de “o que é poesia?”.
Tudo bem, sei que de muitas teorias e estudos, além de poetas fantásticos, bem como críticos brilhantes que já responderam (ou, pelo menos, tentaram) a essa pergunta. Mas quando começo a tentar me arrancar uma resposta clara, objetiva e direta sobre esse conceito, eu sinto, mas não consigo dizer. Consigo pensar nessa idéia, contudo não sei expressá-la senão por metáforas ou pela própria poesia.
Aí, te pergunto: quer dizer que poesia é a própria poesia?

Prefiro, no meio dessa viagem toda, comprar os conceitos de Estrela Leminski sobre o que ‘não é poesia’. Assim fica mais fácil de entender.
Mas veja que dizer da forma como ela diz, só tendo mesmo aquela alma de poeta que eu disse lá no começo.
A moça fez o inverso do que eu e a grande maioria tentamos: ela disse tudo o que não é poesia. Mas fez isso através da própria poesia. Ela usou poesia pra dizer o que a poesia não é. Gente! Pára tudo!

Visite o blogue da moça pra ver e, pra ser mais específica, entre no marcador “poesia”. A série, com 22 capítulos, estará lá: fresca e doce. Uma delícia.

Olha um exemplo:
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CLICA AQUI PRA VER TUDO!
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beijos, Samantha Abreu
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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Clarice... 30 anos depois.


Depois de 30 anos de silêncio o Brasil começa a gritar o nome dessa mulher. Daqui um mês trinta anos de completam sem a sua presença, mas por acaso um escritor consegue ficar ausente? O livro, ali, contendo sua alma e sua paixão, não seria sua presença? Ou até mesmo mais que isso!

"Mas é que a verdade nunca me fez sentido.
A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo.
Desamparada, eu te entrego tudo - para que faças disso uma coisa alegre.
Por te falar eu te assustarei?
Mas se eu nunca falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia."


O Museu da Língua Portuguesa montou até o começo do mês uma exposição: Clarice, a hora da estrela. Congressos, palestras, simpósios que tentar desvendar o mistério Clarice Lispector, que nem mesmo Drummond conseguiu desvendar. Mistérios embebedados em palavras às vezes tidas como herméticas e confusas, perdidas num embaçamento de emoções, mas que no fundo nada mais eram que a mais bela forma de expressão.
Porém muitos erros vêm à tona com tantas releituras de sua obra. Por exemplo: alguns dizem que há influência de Virginia Woolf naquela obra, porém Clarice afirma que só depois de 1945 veio tomar conhecimento dessa escritora. Ou seja, muito já havia sido escrito por ela. Assim, ela não É INFLUENCIADA por Woolf, e sim IGUALADA a Woolf. Da mesma forma a Joyce. O fato de escrever na língua portuguesa não deve, e não pode, desmerecer tal obra.
Aspectos ainda restam a serem estudados. Isso é lógico e claro. A obra de Clarice por mais estudada que seja ainda deixa rastros do desconhecido, como uma forma de epifania do ser em volume máximo. Ela se expôs nas páginas, colocando ali sua alma e sua dor, e não há mais enigmático que a alma de uma pessoa. Nada alcança tanto mistério, e Clarice não só atingiu esse mistério em cheio como também o descreveu. Nós, meros leitores, ficamos aqui, a ver mistérios, buscando desvendá-los, numa tentativa (inútil?) de entendê-los.

"Não se preocupe em entender,
viver ultrapassa todo entendimento".

O brasileiro não honra o que se tem. Fica mergulhado em Harry Potter's, hobbit's, Assassinatos em expressos oriente e caçadores de pipas perdidos no mundo. Ninguém olha pro tesouro que há na língua portuguesa. Ligam literatura a política, e se uma vai mal a outra despenca. O pior é quando resolve ler "algo brasileiro". Então há a febre de coelhos surfistas ou auto-ajuda barata. Ninguém percebe que temos na nossa língua uma mulher - e outros que podemos citar - que mergulham no mistério da vida e trazem à tona uma literatura de primeira.
Clarice fez isso.
E morreu de câncer no ovário.
E começou o silêncio, que só foi quebrado trinta anos depois.
Antes tarde do que nunca.
Então, chegou A HORA DE ESTRELA!

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visite:
http://www.claricelispector.com.br/
http://www.vidaslusofonas.pt/clarice_lispector.htm
http://www.releituras.com/clispector_menu.asp


E bom mergulho...

"Mergulhe, como eu mergulhei.
Renda-se, como eu me rendi".


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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Aos ecos de um “UBU REI”...

Para estrear nossa coluna de Cinema & Teatro, nada melhor do que essa peça de Alfred Jarry, uma sátira profunda do poder e dos valores da sociedade burguesa que mistura a encenação clássica com uma viagem mais do que cinematográfica por épocas distantes e heróis sem caráter.
Foi uma experiência única ler essa obra. Pois é, algumas peças já são obras primas antes de sair do papel.
Meio que uma peça-roteiro, essa invenção “cinemato-teatral” foi uma das grandes obras vanguardistas do teatro francês. É uma viagem por inúmeros cenários, praticamente irrepresentável num palco, o que despertou ainda mais o meu interesse. É como que uma mutação, um híbrido, um misto de teatro e cinema.
E, se irrepresentável no palco, para onde “teoricamente” foi feita, há que se admitir sua força em se manter enquanto texto literário. Sim, teatro também é literatura. E das boas.
No Brasil, podemos pensar em “O Rei da Vela” (de Oswald de Andrade) como uma irmãzinha gêmea. É meus caros, nem só de poesia, pintura e música viveu nossa semana de 22.
Critica social ferrenha, O Rei da Vela chegou de mansinho e enfiou uma faca na hipocrisia latente da nossa sociedade desde muito tempo.
Os temas das duas peças são totalmente diferentes e especialmente parecidos, depende de como você olhar. O fato é que é impossível indicar uma sem falar da outra. Seja pela estrutura, sejam pelas personagens...
Nem pensemos em espaços diegéticos ou dramas puros, apreciemos apenas a beleza do meta-teatro e suas formas diversas de se manifestar.
Facadas à parte, as de Pai Ubu não foram das mais inocentes, mas certamente foram hilárias.

Dicas de leitura dramática:
Ubu Rei – Alfred Jarry
O Rei da Vela – Oswald de Andrade

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

NADA PARA PEDRO OSMAR, HÁ, HÁ, HÁ

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Olá pessoal, sejam bem vindos ao mundo sonoro do balaio, começaremos a nossa viajem sobre músicas, fuleragens, discos, bandas, artistas e outras coisas mais, sei lá... Coisas bacanas irão acontecer, espero hehehe, como diria minha avó: "Tire de onde não tem, e bota a onde não cabe...", vai ver que esse ditado foi feito pro balaio. Então, aproveite e vamo que vamo.


NADA PARA PEDRO OSMAR, HÁ, HÁ, HÁ - Paraibano Porreta.

Cantor. Compositor. Músico. Instrumentista. Poeta. Artista Plástico. Desde a infância, o contato com o folclore nordestino e brasileiro como um todo e as influências da cultura de sua região natal, especialmente as personagens da poética popular, foram fundamentais para sua definição pela carreira musical.
Sua família era envolvida com música, de forma amadora. Seu tio, João Baliza, tocava bandolim e saía em noitadas musicais com seu pai. Ambos eram operários da construção civil. Ainda menino, freqüentava os saraus que as famílias da Rua da Paz, de seu bairro, (Jaguaribe) diariamente organizavam.
Na adolescência, pelos anos 1960, além da música local, também gostava de ouvir os Beatles; aos poucos, foi contatando a música de experimentação, ouvindo as composições do maestro Pedro Santos, (músico paraense radicado na Paraíba) ao participar do coral Madrigal em João Pessoa. Passou, então, a se interessar pelo estudo e prática das concepções de música contemporânea.
Por volta de 1973, foi estudar música, inicialmente na COEX-UFPB. Logo descobriu não ser sua vocação o rigor acadêmico na interpretação de obras consagradas. Decidiu, então, adotar a experimentação e a vivência livre com a música.
Nos anos 1960/70, ingressou no movimento da poesia marginal, participando do Grupo Sanhauá, tornando-se ativa personagem da chamada "geração mimeógrafo". Por essa, época, suas atividades poéticas escolares logo se expandiram para recitais em ruas e associações. Desde então, participa de manifestações artísticas paraibanasEm 2004 se mudou para São Paulo (Santo André), para estabelecer contato com os músicos de lá.

O disco dessa semana é o “vem no vento”, 2003. É um disco que foge do processo de experimentalismo instrumental que Pedro e seu irmão Paulo Ró vinham trazendo em suas jornadas musicais, o primeiro de canções foi “Jardim dos Animais” – 1999. “Vem no Vento” é um disco que tem uma leitura poética e política muito forte, as letras trazem um dimensionamento aprofundado nos conceitos sociais e culturais, revela formas e pensamentos de uma sociedade esquecida e quase marginalizada. É um disco festivo, o encontro de amigos que colocam seus anseios e sua suas descobertas em pratica, foi lançado pela chita discos, selo de Chico César. As parcerias são divinas, artistas como Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Lula Queiroga, Escurinho, Quinteto da Paraíba, Elomar, Elba Ramalho, Xangai, Totonho, Chico correia e muito mais, alias precisa de mais?
O repertório tem 20 músicas que são trabalhadas em vários ritmos e gêneros, não tem um ritmo determinado, isso faz com que o disco ganhe qualidade e diversidade sonora.
A poesia é forte e às vezes parece um discurso de protesto por dias melhores ou até mesmo tipo: “olhem esse povo, ninguém dá importância nenhuma a essa gente”... ’ Uma das musicas mais bacanas do CD é “Ferrugem Popular”, que diz: O poder só morre de doença natural, nem a traição mata o poder animal. Outra marcante é “Delírios de Gari”, que fala sobre a pobreza e o lixo das coisas dos homens. A música que dá o nome do disco, é uma festança, é o encontro de figuras da música nordestina, da arte popular, das festas e das celebrações. Enfim muito som de primeira, muitas idéias legais e uma musicalidade incomum, esse é o mundo de Jaguaribe Carne, projeto dos irmãos “porretas”, onde Pedro Osmar fala de suas vivencias com a alma e mostra a força do seu mundo sonoro. “Liberdade é poder andar pelos corredores da prisão, é coisa de poeta navegar na contra mão”, nada pode parar Pedro Osmar, realmente nada pode parar...


Para os interessados é só pedir, eu envio... Semana que vem tem mais, fui.